O que eu quero pra hoje? Quero um dia lindo de sol, feito esse que está fazendo lá fora. Quero uma rede na varanda, de frente pro mar. Na trilha sonora, quero gargalhadas de bebês. Quero a companhia de borboletas, pássaros e pessoas queridas que fazem parte do meu mundo. Além disso, quero uma consciência tranquila pra poder balançar na rede sem preocupação. Quero adormecer tendo certeza que cumpri o meu papel, que dei o melhor de mim e fui o melhor que eu poderia ser. Pra hoje quero boas recordações, fotos de infância e de viagens e uma nostalgia daquelas boas de sentir. Quero chorar de rir, me emocionar frente aos milagres da vida e cantar, mesmo que seja pra ninguém ouvir. Quero som de saxofone e violino enquanto eu danço no ritmo que eu bem entender. Quero bolinhos de chuva da mamãe, e não importa que lá fora esteja o maior sol, eu gosto dos contrários assim mesmo. Quero também o colinho de papai, aquele que tem o poder de transformar meu pranto em riso. Quero fazer planos, muitos planos, e que eu tenha ao meu lado alguém que queira estar presente neles. Quero Martha Medeiros, Rubem Alves e Padre Fábio de Melo em formato dos meus livros preferidos. Pra hoje eu quero um banho de mar e uma prancha de stand up pra apreciar o por do sol. Vou falar dos meus sonhos, dos meus medos e do quanto eu sou indecisa com algumas coisas. Vou contar sobre a minha infância e vou lembrar de todas as pessoas que fizeram parte dela. Pra hoje eu quero a alegria de saber que eu estou viva, que eu tenho saúde, que estou no caminho certo e tenho ao meu lado pessoas incríveis. Pra hoje eu quero ser eu, sem armadura, sem maquiagem, de pés descalços e coração aberto. É só isso, é muito isso, é tudo isso. E não é imaginação, é só meu coração dizendo onde ele queria estar.
Qual a lembrança que você quer deixar ao mundo e as pessoas quando a única coisa que restar de você for apenas as recordações? Como você quer ser lembrado? Que sentimentos você quer despertar quando pronunciarem seu nome? Da minha parte, quero deixar a lembrança de um rosto sorridente e de alguém que não fez mal a ninguém. Quero que lembrem, e porque não, das minhas mudanças bruscas de humor mas também do quanto uma única palavra já me arrancava um sorriso do rosto, mesmo em meio a lágrimas. Quero que lembrem de mim como uma apaixonada pelo mar, pela vida, por Deus e pelas pessoas. E você, que sementes tem espalhado por aí? Tem feito o bem? Tem perdoado? Tem marcado positivamente a vida das pessoas? Sua vida pode ser qualquer coisa, menos insignificante para você e para os outros. Mas ainda dá tempo, ainda há possibilidade de você rever as suas sementes bem como o terreno que você as tem plantado. Acho engraçado quando as pessoas lá no fim da vida fazem comentários do tipo: me sinto tão sozinho, meus filhos e netos quase não vem me visitar. Ai eu lhe pergunto: você cultivou o amor deles enquanto podia? Beijou, abraçou, deu colo, apoiou? Ou passou de forma pouco marcante pela vida dos seus? Em terreno que se planta girassóis não florescem gerberas. Nós somos os semeadores, somos nós que cultivamos o terreno, somos nós que escolhemos a semente... Não está gostando da colheita? Mude a forma de cultivo, ou escolha outro terreno e outras sementes. As lembranças que você deixará após sua partida serão os frutos das sementes que você plantou. Então, vamos espalhar sementes de amor, bondade, esperança, alegria... Se você não colher, outros colherão... Mas pelo menos você poderá dizer que fez a sua parte no cultivo de um mundo mais bonito e florido.
Era domingo. Estávamos sentados ao redor da mesa, e entre um gole e outro de qualquer coisa falávamos sobre assuntos diversos. Não demorou muito para que o assunto girasse em torno de relacionamentos. Claro que nós mulheres queríamos falar todas ao mesmo tempo pra contar todas as nossas histórias trágicas e melodramáticas. Entre um "ele me traiu" e um "como eu pude ser tão trouxa" dávamos risadas e proferíamos um "comigo foi assim também". Sim, foi comigo, foi contigo e ainda será com muita gente. Poucas pessoas passarão por essa vida sem terem tido uma decepção num relacionamento amoroso. Até ai tudo bem, uma decepçãozinha não mata ninguém. Mas o que tem me preocupado é que no fim há uma desesperança generalizada em relação a relacionamentos. E não estou falando de adolescentes dramáticos que prometem não namorar nunca mais depois do término do primeiro rolo, estou falando de homens e mulheres que já viveram algumas histórias, que ja estão na casa dos 20 ou 30 anos e tiveram 2 ou 3 relacionamentos sérios. Os sentimentos são os mais diversos, desde o nunca mais quero namorar até o eu não consigo me apegar. No fim das contas, estamos brincando de gato e rato e temos um discurso pronto que nos protege das nossas fraquezas. Na época dos nossos pais era fácil, eles se conheciam numa festa de igreja ou na escola, namoravam, casavam e viviam felizes pra sempre. Mas e agora? Frequentamos vários lugares, conhecemos pessoas de todos os cantos, nos comunicamos com vários ao mesmo tempo... Mas estamos com medo, não conseguimos confiar, estamos na defensiva... Nosso histórico de relações mal sucedidas somado ao histórico daqueles com os quais no relacionamos resulta em relações superficiais, vazias de sentimentos e repletas de desconfiança. Somos a geração mais bem sucedida profissionalmente e em contrapartida a mais mal resolvida quando o assunto é relacionamento. O que nos resta é torcer para que as nossas dores e os nossos medos encontrem também outras dores e outros medos, e que a soma disso não resulte em mais dores, mas sim, em mais amores.
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.