Tempo, tempo, tempo

11:19:00

Paciência. Pra viver, pra deixar acontecer, pra esperar a hora certa chegar. Paciência pra compreender as demoras, pra esperar as chegadas, pra aceitar as partidas. Paciência pra deixar que tudo aconteça em seu tempo. Paciência pra não apressar o rio, pra deixar que ele sozinho faça o seu curso. Desacelerar, sossegar, esperar... verbos cada vez mais citados e em contrapartida cada vez menos usados. Queremos e queremos pra agora, de preferência pra ontem. Jogamos a semente na terra e já esperamos colher os frutos no dia seguinte. Iniciamos uma nova carreira e já queremos logo ocupar um lugar de destaque. Conhecemos alguém ontem e já começamos a planejar o casamento e a lua de mel nas ilhas maldivas. Terminamos um relacionamento e já queremos que a ferida cicatrize horas depois. Esquecemos que pra nascer demoramos nove meses, esquecemos que a natureza tem seus ciclos, esquecemos que o sol não nasce e nem se põe atrasado ou adiantado. Tudo tem seu tempo certo pra acontecer: começos, recomeços, términos, inícios. Nos cabe aguardar o tempo de esperas, nos cabe entender o ciclo de amadurecimento de tudo que nos acontece, nos cabe compreender que o meu tempo nem sempre é o tempo do outro. Passamos apressados pela vida, ansiamos logo o fim de semana, ansiamos o fim de ano, ansiamos a cura imediata de todas as nossas dores... Mas, é preciso entender que o tempo é necessário para curar feridas, aplacar dores, colocar a bagunça em ordem, amadurecer os relacionamentos, silenciar as mágoas. Que a gente tenha sabedoria pra compreender as demoras, que tenha calma pra esperar as aberturas ou os fechamentos de ciclo, que tenha paciência pra esperar o momento certo de cada conquista e que sobretudo, tenha maturidade pra entender que diferente do relógio cronológico, o relógio da nossa vida não obedece a comandos matemáticos e pré-programados. Aliás, não há relógios pra marcar os acontecimentos da nossa vida, eles seguem seu próprio curso, quer queiramos ou não. Então, que saibamos viver e aproveitar o que cada fase tem a nos ensinar, sem perder a esperança no que almejamos mas sem deixar de aproveitar o percurso que nos levará até lá.

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Quem sou

"Sou menina levada, princesa de rua, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu...
Beijo escondido, faço bico, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. Quer me entender? Não precisa."


Fernanda Mello

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